“O futuro da assistência a diabetes já começou”. A frase do Guilherme Vaz de Melo Trindade, uma das lideranças clínicas do projeto Saúde IA, revela todas as expectativas que cercam o programa lançado nesta semana em Fortaleza. Unindo tecnologia, atendimento humanizado e segurança de dados, o Saúde IA acompanhará, de forma pioneira, um grupo de voluntários através de plataforma própria que pretende agilizar intervenções, facilitar a assistência e, no fim, gerar economia e qualidade na atenção à saúde no município.
Na última terça (10), mais de 50 participantes de um total de 100 estiveram na sede da Fundação de Ciência, Tecnologia e Inovação de Fortaleza (Citinova) para receber o kit do projeto, implantar o sensor Libre e integrar seus dados à plataforma do Saúde IA. A partir de agora, o seu acompanhamento glicêmico está ligado ao sistema, que fornecerá informações diretamente à equipe médica, que poderá decidir sobre o atendimento necessário conforme o índice apurado.
Imediatamente o projeto já traz um benefício de bem-estar. “Ter o controle real 24h por dia, sem precisar furar os dedos inúmeras vezes tem sido muito bom”, afirmou a participante Camila Braulino Lopes Forte, de 33 anos, moradora do Parque Iracema. Este é, na realidade, um dos objetivos da iniciativa, aprovada no edital Sandbox Regulatório da Citinova, voltado para startups, empresas de base tecnológica, instituições de ciência e tecnologia e organizações inovadoras que desejam testar soluções urbanas em um ambiente regulatório experimental e temporário.
Inteligência Artificial emite alertas para as equipes de saúde
A preocupação com a qualidade de vida do paciente é a base do Saúde IA. Os dados captados pelo sensor são decodificados na plataforma com a ajuda da Inteligência Artificial, que emite alertas para que as equipes médicas tomem eventuais decisões. Dependendo da gravidade dos índices coletados, as ações podem ir desde alguma orientação aos pacientes, através de visitas das Equipes de Saúde da Família, até o acionamento do Samu para situações mais severas. “Nosso objetivo é transformar a forma como o diabetes tipo 1 é acompanhado dentro do Sistema Único de Saúde. A proposta central do projeto é implementar o monitoramento contínuo da glicose, permitindo o acompanhamento em tempo real das variações glicêmicas ao longo do dia e da noite”, explicou Guilherme.
O projeto possui como diferencial estrategicamente importante para o atendimento à saúde sua integração com o e-SUS e o SAMU, o que permite uma ação rápida em caso de acionamento pela equipe médica. Além disso, a plataforma pode ser acessada por vários dispositivos, produzindo um dashboard sobre os dados coletados, facilitando o acompanhamento e as tomadas de decisão
A expectativa dos voluntários é grande. Márcia Hyngred Ferreira da Silva tem 29 anos e é moradora de Sapiranga. Ela destaca a segurança de estar com o controle de sua glicemia na palma da mão: “Isso dá bastante liberdade, pois não preciso estar com aparelho de glicemia direto, sem falar que todo o processo é indolor”. Nesses primeiros dias de controle, Márcia já sente os benefícios de, ao menor sintoma, saber o índice glicêmico e ter a segurança de que este dado está sendo monitorado pelos profissionais da saúde. Camila, por sua vez, se orgulha de que Fortaleza seja pioneira nesse processo e prevê repercussão nacional para o Saúde IA. “Espero e desejo que seja um modelo de projeto para todo o país, trazendo conscientização, informação e educação em Diabetes”, completou.
Iniciativa prevê redução de internações e uso eficiente dos recursos públicos
O coordenador Guilherme Trindade percebe que, além da tecnologia envolvida e seus impactos, o monitoramento acaba por fortalecer o autocuidado, permitindo que toda família participe ativamente em situações de risco ou emergência. Para estimular esse aspecto, junto do sensor, o participante também recebeu itens de bem-estar, como hidratante de mãos, bolsa térmica de insulina, higiene oral e separador de medicamentos. “Essas pessoas agora sabem que não estão sozinhas, que terão sua glicemia observada diariamente por uma equipe comprometida. Pessoas que ganham mais autonomia no autocuidado e também mais conforto”, declarou a enfermeira Valéria Moura, que integra a equipe clínica do projeto.
Após o acompanhamento dos dados desses pacientes pelos próximos 30 dias, será produzido um relatório sobre o projeto e seus benefícios para avaliação da Prefeitura, conforme prevê o edital Sandbox. “Estamos falando de prevenção de complicações agudas e crônicas, redução de internações e uso mais eficiente dos recursos públicos. O Saúde IA representa uma mudança de paradigma: utilizar inteligência e dados em tempo real para promover decisões clínicas mais assertivas, cuidado mais preciso e saúde mais equitativa”, apontou Guilherme Trindade. Valéria foi além: “No meio de toda essa tecnologia, uma certeza permanece em nós: não estamos apenas acompanhando sensores, estamos cuidando de pessoas. E acreditamos, cada vez mais, que o futuro da saúde será tecnológico, mas jamais deixará de ser humano”.
O Saúde IA é desenvolvido pela Argos Agentes Inteligentes em parceria com a FUNRIO. Saiba mais sobre o projeto em www.saudeiafortaleza.com.br.